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4 de abril de 2010

Está chegando o frio...

por Bruno Padoveze

Hoje pela manhã me deparei com uma interessantíssima reportagem no site do Yahoo! Brasil.
Essa notícia veio do The New York Times, e a data é de 31 de março de 2010.


Cientistas tentam defender trabalhos sobre o clima

Há meses cientistas do clima sofrem críticas cruéis na mídia e na internet, acusados de esconder dados, cobrir erros e suprimir visões alternativas. Sua reposta até agora tem sido, em grande, parte, insistir na legitimidade de seu vasto corpo de ciência climática e ridicularizar seus críticos, chamando-os de esquisitos e desinformados. No entanto, o volume de críticas e a profundidade da dúvida só cresceram... (continua)


No final deste post deixo o link pra notícia na íntegra.

O que me chamou a atenção foi que o tema relatado vem de encontro com a minha visão e entendimento sobre o futuro próximo (diria que até o presente) da situação climática em nosso planeta.

Acredito que estamos caminhando para um grande resfriamento global nas próximas décadas, talvez até uma mini era do gelo em certas regiões.

Vide o rígido e imprevisto inverno que assolou partes da Europa e dos EUA agora no final de 2009 - frio absurdo e a "inesperada" quantidade de neve em várias localidades, como a nevasca em Washington no começo deste ano ou as baixíssimas temperaturas na França e Inglaterra por exemplo.

Inclusive, os temporais que estão castigando o Brasil durante todo esse verão estão certamente, e comprovadamente relacionados com o momento climático do planeta.

E é bom que saibamos o que está por vir para que estejamos preparados.

Para complementar a notícia do Yahoo acima e para aqueles interessados em descobrir o que muito provavelmente nos aguarda nas próximas décadas, deixo também no final deste post, o vídeo de uma palestra com Luiz Carlos Molion.

Luiz Carlos Baldicero Molion - bacharel em Física pela USP e doutor em Meteorologia e Proteção Ambiental pela Universidade de Wisconsin, Estados Unidos.

Concluiu seu pós-doutorado no Instituto de Hidrologia, em Wallingford, Inglaterra, em 1982, na área de Hidrologia de Florestas. É associado do Wissenschaftskolleg zu Berlin (Instituto de Estudos Avançados de Berlim), Alemanha, onde trabalhou como pesquisador visitante de 1989 a 1990.

Molion tem mais de 30 artigos publicados em revistas e livros estrangeiros e mais de 80 artigos em revistas nacionais e congressos, em particular sobre impactos do desmatamento da Amazônia no clima; climatologia e hidrologia da Amazônia; causas e previsibilidade das secas do Nordeste; mudanças climáticas globais e regionais; camada de ozônio e fontes de energias renováveis.

Foi cientista-chefe nacional de dois experimentos com a NASA sobre a Amazônia. Aposentou-se do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE/MCT), onde foi diretor de Ciências Espaciais e Atmosféricas.

Atualmente, encontra-se na Universidade Federal de Alagoas (UFAL), em Maceió, como professor associado e diretor de seu Instituto de Ciências Atmosféricas (ICAT).

É membro do Grupo Gestor da Comissão de Climatologia da Organização Meteorológica Mundial (MG/CCl/OMM), como representante da América do Sul.


LINKS


Cientistas tentam defender trabalhos sobre o clima
Yahoo! Brasil - The New York Times


Palestra com Luiz Carlos Molion (não deixem de ver!)
4º Painel - Aquecimento ou Histeria Global

18 de março de 2010

Banco Global de Sementes na Noruega

compilado/traduzido por Bruno Padoveze
fontes - Thais Padoveze e guardian.co.uk


Um ambicioso projeto para preservar futuros suprimentos de comida foi iniciado na segunda-feira, dia 19 de junho de 2006, na Noruega.

O Svalbard International Seed Valt (SISV) é um Banco Global de Sementes para as plantas mais importantes do mundo. Ele servirá como um banco repositório para sementes cruciais no caso de uma catástrofe global, segundo o então ministro da agricultura norueguês, Terje Riis-Johansen.

A instalação está incrustada no permafrost da remota península de Svalbard e o planejamento é armazenar 3 milhões de sementes, de todos os países do mundo.



Permafrost - tipo de solo encontrado na região do Ártico, constituído por terra, gelo e rochas permanentemente congelados.

O banco de sementes constitui-se de um túnel de concreto reforçado escavado 70 metros dentro de uma montanha, guardado por duas portas de aço e que pode ser acionado por controle remoto da Suécia.
As sementes são armazenadas em embalagens de alumínio, à temperatura de -18ºC, e estima-se que se mantenham utilizáveis por milhares de anos.

Caso alguma espécie seja dizimada durante uma guerra ou catástrofe ambiental, e os bancos de sementes locais de um determinado país também sejam aniquilados, o governo local pode contar com o Banco Global de Sementes da Noruega para a reposição da espécie.

Ao contrário das outras centenas de bancos de sementes já existentes em todo o planeta, este não dependerá apenas de sistema de refrigeração no caso de um eventual interrompmento de fornecimento de energia elétrica.
A localização remota do SISV - perto da cidade de Longyearbyen, nas Ilhas Svalbard, a apenas 1.000km do Pólo Norte - e o fato de estar cravado no permafrost, são garantias de que a temperatura nunca ficará acima do nível de congelamento.

Uma curiosidade, a Organização de Agricultura e Alimentos das Nações Unidas (UN Food and Agriculture Organisation) estima que 75% da diversidade da agricultura natural já foi extinta. Os Estados Unidos por exemplo, possuíam 7.100 variedades de maçãs cerca de 200 anos atrás, e hoje, 6.800 destas não mais existem.

Aliás, é incrível como conhecemos tão pouco sobre as diversas variedades de maçã. Existe uma fazenda orgânica na Austrália onde se cultiva mais de 200 diferentes tipos. E todos os anos eles promovem o Festival de Degustação de Maçãs.

É bem provável que a grande maioria das pessoas nem saiba que todos esses tipos de maçã existem.


(da esquerda para a direita) - Primeiros Ministros Matti Vanhanen da Finlândia, Jens Stoltenberg da Noruega, Goran Persson da Suécia, Geir Haarde da Islândia e Anders Fogh Rasmussen da Dinamarca durante a cerimônia que marcou o estabelecimento do Banco Global de Sementes em Longyearbyen, na Noruega, em 2006.


Hoje, o banco já está em pleno funcionamento, recebendo diariamente amostras de sementes de cada país do Planeta Terra.

Deixo aqui um link para uma seleção de ótimas fotos do Banco de Sementes em funcionamento, bem como sua localização e infra-estrutura - CLIQUE AQUI.

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16 de janeiro de 2010

Pesquisadores da Unicamp no Haiti

Compilado por Bruno Padoveze através de informação compartilhada pelo grande amigo João Rodrigo Contim


Um grupo de jovens estudantes de ciências sociais da Unicamp esta no Haiti neste exato momento.
Não faz nem um mês que chegaram la, com o objetivo de realizar um treinamento em pesquisa de campo antropológica.

E obviamente, estão imersos nos acontecimentos pos-terremoto, porem observando e interagindo com a situação, com o povo haitiano e ate com o exercito brasileiro de uma maneira diferente da que a mídia internacional e brasileira, vem retratando.

Vale muito à pena informar-se da perspectiva destes jovens estudantes e pesquisadores brasileiros que neste momento, estão realmente vivendo tudo isso que vemos e ouvimos na televisão e vemos e lemos nos jornais.

É sempre muito importante abrirmos nossos olhos e mentes para todos os diferentes tipos, perspectivas e fontes de informação. Para assim, munidos de consciência, entrarmos em contato com nossa intuição, com nosso interior, e irmos aos poucos, nos re-descobrindo e redescobrindo o mundo dentro de nos e ao nosso redor.

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O termo MINUSTAH aparece bastante nos relatos.

MINUSTAH – sigla para “Missão das Nações Unidas para a estabilização no Haiti”, é uma missão de paz criada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU), em 30 de abril de 2004 para restaurar a ordem no Haiti.
A missão está no país desde junho de 2004, e a ONU renovou seu mandato por 1 ano em outubro de 2009.

Existem 1.300 soldados brasileiros no Haiti neste momento, servindo a MINUSTAH.

O Haiti foi o segundo país da América, não por acaso, a conquistar a Independência (15 anos antes do Brasil) e o primeiro a conquistar o fim da escravidão (100 anos antes do Brasil).

É um país pequeno geograficamente, mas solidário, que enviou apoio à Independência Cubana, às transformações por soberania no Congo e na Grécia (em 1830).
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Gostaria de postar aqui, na integra o primeiro relato desse grupo de jovens logo apos o terremoto, escrito por Otavio Calegari Jorge no dia 13 de janeiro.

E apos o termino deste relato, deixo abaixo os links para os outros posts, desde novembro e inicio de dezembro enquanto eles ainda estavam no Brasil, preparando-se para partir, e nos recentes dias, apos o terremoto.

Vale muito a pena ler, os textos nao sao muitos, nao sao longos e sao impressoes pessoais de alguns deles, que estao literalmente navegando neste mar de acontecimentos.


Haiti: estamos abandonados
13 13UTC Janeiro 13UTC 2010

“A noite de ontem foi a coisa mais extraordinária de minha vida. Deitado do lado de fora da casa onde estamos hospedados, ao som das cantorias religiosas que tomaram lugar nas ruas ao redor e banhado por um estrelado e maravilhoso céu caribenho, imagens iam e vinham. No entanto, não escrevo este pequeno texto para alimentar a avidez sádica de um mundo já farto de imagens de sofrimento”.

“O que presenciamos ontem no Haiti foi muito mais do que um forte terremoto. Foi a destruição do centro de um país sempre renegado pelo mundo. Foi o resultado de intervenções, massacres e ocupações que sempre tentaram calar a primeira república negra do mundo. Os haitianos pagam diariamente por esta ousadia”.

“O que o Brasil e a ONU fizeram em seis anos de ocupação no Haiti? As casas feitas de areia, a falta de hospitais, a falta de escolas, o lixo. Alguns desses problemas foram resolvidos com a presença de milhares de militares de todo mundo”?

“A ONU gasta meio bilhão de dólares por ano para fazer do Haiti um teste de guerra. Ontem pela manhã estivemos no BRABATT, o principal Batalhão Brasileiro da Minustah. Quando questionado sobre o interesse militar brasileiro na ocupação haitiana, Coronel Bernardes não titubeou: o Haiti, sem dúvida, serve de laboratório (exatamente, laboratório) para os militares brasileiros conterem as rebeliões nas favelas cariocas. Infelizmente isto é o melhor que podemos fazer a este país”.

“Hoje, dia 13 de janeiro, o povo haitiano está se perguntando mais do que nunca: onde está a Minustah quando precisamos dela”?

“Posso responder a esta pergunta: a Minustah está removendo os escombros dos hotéis de luxo onde se hospedavam ricos hóspedes estrangeiros”.

“Longe de mim ser contra qualquer medida nesse sentido, mesmo porque, por sermos estrangeiros e brancos, também poderíamos necessitar de qualquer apoio que pudesse vir da Minustah”.

“A realidade, no entanto, já nos mostra o desfecho dessa tragédia – o povo haitiano será o último a ser atendido, e se possível. O que vimos pela cidade hoje e o que ouvimos dos haitianos é: estamos abandonados”.

“A polícia haitiana, frágil e pequena, já está cumprindo muito bem seu papel – resguardar supermercados destruídos de uma população pobre e faminta. Como de praxe, colocando a propriedade na frente da humanidade”.

“Me incomoda a ânsia por tragédias da mídia brasileira e internacional. Acho louvável a postura de nossa fotógrafa de não sair às ruas de Porto Príncipe para fotografar coisas destruídas e pessoas mortas. Acredito que nenhum de nós gostaria de compartilhar, um pouco que seja, o que passamos ontem”.

“Infelizmente precisamos de mais uma calamidade para notarmos a existência do Haiti. Para nós, que estamos aqui, a ligação com esse povo e esse país será agora ainda mais difícil de ser quebrada”.

“Espero que todos os que estão acompanhando o desenrolar desta tragédia também se atentem, antes tarde do que nunca, para este pequeno povo nesta pequena metade de ilha que deu a luz a uma criatividade, uma vontade de viver e uma luta tão invejáveis”.

Otávio Calegari Jorge

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Leiam aqui os outros relatos do blog desse grupo de jovens estudantes e pesquisadores de ciências sociais da Unicamp que estão neste momento, em Port Au Prince no Haiti.

Novembro 2009

Dezembro 2009

Janeiro 2010 (pos-terremoto, ordem cronológica lendo-se debaixo pra cima)



Um abraço,
Estejam bem.